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O SILÊNCIO DOS
INOCENTES
J.Carlos Santtana Cardoso
Foi em um dia de verão que eu a vi pela primeira vez,seu
cabelos pretos contrastavam
com o sol e eram de um brilho tão intenso que fiquei ali meio
de boca aberta e cheio
de admiração . Ela passou e sequer notou me,mas aquela imagem
ficaria marcada
por muito e muitos anos em minha mente .
Eu tinha 14 anos e ela 10 nunca nos falamos mas os
olhares diziam tudo,meu coração
adolescente batia descompassado quando eu a via vindo da
escola,com seus cadernos
embaixo do braço,com uma saia azul marinho, blusa
branca,sapatos pretos e meias brancas.A linguagem do olhar era bastante e não
precisava dizer nada.Nas férias,ela
sempre viajava para a casa da tia e dai meu coração ficava
doendo de saudade e eu
esperava com muita ansiedade seu retorno,ficava
espreitando a casa dela,tentando ouvir aquela voz tão familiar aos meus
ouvidos .Ela morava numa casa ao lado da minha
e muitas vezes ficávamos, ela na janela de sua casa e eu na
minha,assim como não quer nada,apenas se olhando e a felicidade era
coisa que eu sentia pela primeira vez ,na minha vida de criança.
Um dia ela se foi,mudou para o outro lado da cidade
.Pela primeira vez na vida eu senti a sensação de perda,só de imaginar que
jamais eu a veria bem ali do outro lado da cerca,que separava nossos quintais
para mim era o fim do mundo .
Eu sempre dava um jeito de ir aonde ela morava,pegava a
bicicleta de meu irmão,sem
que ele percebe e lá ia eu com o peito cheio de
felicidade,cabelo ao vento passar em frente da casa dela .Isso sempre
acontecia a noite,que era hora em que a bicicleta estava dando ''sopa'' .Eu
parava em frente a casa dela,ela subia na garupa e lá íamos nos
passeando pela cidade .Não dizíamos nada,não precisava
.Nunca pegamos não mão um
do outro,nunca trocamos um beijo só olhares,apenas olhares .
Eu tinha um bom conceito com o pai e a mãe dela e pela minha cabeça jamais
havia passado de que eles sabiam de alguma coisa .
Um dia nossos caminhos desencontraram e se passaram
alguns anos e quando a vi ela
estava noiva,pronta para casar com outro . E casou...
Passado tantos anos,um dia eu encontrei com o pai dela e
assim como numa conversa normal ele disse me :
- Você era a pessoa para ser meu genro,mas
você bobeou não lutou não disse nada calou- se ...
Fiquei admirado com as palavras que ele disse
me e
bateu aquela sensação de arrependimento
por não ter dito o que deveria na época em que eu tinha tudo
,mas apenas nos olhávamos e simplesmente calava mos nossas
vozes .Não confessamos nosso amor ,não gritamos as palavras sufocada no peito
,simplesmente só nos olhávamos e isso não foi o
suficiente.
Se tiver que dizer a alguém seu amor, diga ,não
sufoque as palavras se quer essa pessoa ,vá a luta
mesmo que não vença pelo menos terá a sensação de haver tentado
O pior arrependimento e o de não ter feito o que era
para ser feito .
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