AO MEU PAI

 

   
 
 

 

 

 

 

AO MEU PAI

Arethuza Viana

 

Fui longe, pai, reconheço!

Me perdi num turbilhão.

Só Deus sabe o que padeço

por querer o teu perdão...

Nem mesmo sei se mereço,

mas por Deus, me estende a mão!



Eis-me aqui tão dolorida,

tão magoada, meu pai,

eis o que foi minha vida

nesta lágrima que cai,

nesta dor tão reprimida,

no soluço que não sai



Vi tantos sem ter o pão

e outros em fartas ceias,

dentro da corrupção,

em suas malditas teias...

Pai, me estende tua mão!

Sou sangue de tuas veias!



Estou doída, cansada,

meu orgulho está desfeito,

ah, meu pai me dá pousada,

eu preciso de um leito...

Eu voltei da caminhada,

com tanta amargura no peito!



A ti pai, ninguém se iguala,

eis-me frágil humilde e mansa

a te pedir quase sem fala

e repleta de esperança:

ME PÕE NO COLO E ME EMBALA,

IGUAL QUANDO EU ERA CRIANÇA!!!